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Queda no consumo faz Petrobras rever projetos

29/03/2010


A retração do mercado consumidor de gás natural em 2009 fez com que a Petrobras revisse o cronograma de alguns projetos destinados ao aumento de sua produção. Pelo menos dois campos localizados na Bacia de Santos -  Mexilhão e Uruguá-Tambaú - , que entrariam em operação em 2010 com a perspectiva de atingir em um ano o pico de produção de 15 milhões de m³ por dia, tiveram o início dos trabalhos adiado em alguns meses e só vão chegar à capacidade máxima em 2013.


Em 2009, o consumo médio caiu dos 65 milhões de m³ por dia para 48 milhões. A crise econômica mundial, que afetou as atividades industriais, e os níveis elevados dos reservatórios das hidrelétricas, que tornaram dispensável o acionamento de usinas térmicas, são as principais causas apontadas pela Petrobras para essa retração do mercado consumidor.


No ano passado, o primeiro sinal de que o mercado estava encolhendo foi a redução da importação de gás natural da Bolívia para o volume mínimo permitido no contrato. Enquanto em 2008 a estatal puxava o máximo de 31 milhões de m³ por dia, em 2009 trouxe do país vizinho uma média de 20 milhões de m³ por dia.


Além de reduzir a importação, a Petrobras também desativou plataformas que produziam apenas gás não associado ao petróleo. Como, no Brasil, 75% do gás é extraído junto com o petróleo, há uma maior dificuldade de reduzir o volume produzido sem comprometer a autossuficiência do País em óleo. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o País produziu em média 57,921 milhões de m³ por dia em 2009, 2% menos que em em 2008.


Da produção nacional, o total destinado ao mercado consumidor (térmico, industrial, residencial e automotivo) chegou a 28,169 milhões de m³ por dia, o que equivale a uma queda de 18,5% em relação ao ano de 2008.


"Há uma capacidade de oferta no País hoje de 86 milhões de m³ por dia, isso sem contar os 15 milhões que estariam entrando em produção este ano, com Mexilhão e Uruguá-Tambaú. Mas as perspectivas são de um consumo de, no máximo, 50 milhões de m³ dia, já incluindo a importação da Bolívia", disse o consultor Marco Tavares, da Gas Energy.


Ainda de acordo com os dados da ANP, a estatal aumentou o consumo próprio de gás natural este ano. Foi destinada às refinarias e plataformas de exploração e produção uma média diária de 8,449 milhões de m³, volume 6,65% maior do que no ano anterior. Também teve acréscimo o volume de gás natural reinjetado nos campos exploratórios: 11,7%, para 11,921 milhões de m³.


"A reinjeção de gás natural estimula a produtividade dos campos de exploração e reduz o ritmo de declínio dos campos", lembrou o consultor da Gas Energy, destacando, no entanto, que não é possível dimensionar qual a influência direta desta reinjeção de gás na produtividade."



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